1 de outubro de 2014

Entrevista com Don Hank: Interpretando o que está acontecendo com os EUA, Europa e Rússia hoje


Entrevista com Don Hank: Interpretando o que está acontecendo com os EUA, Europa e Rússia hoje

Julio Severo
Como um evangélico conservador americano que fala e lê russo e várias línguas europeias e asiáticas, Don Hank está numa posição singular para explicar os grandes desafios e perigos para os EUA, Europa e Rússia.
Nesta entrevista, ele ajudará os leitores internacionais, especialmente brasileiros, a compreenderem o que está acontecendo com essas culturas que têm tradições cristãs.
Don tem uma preocupação especial por cristãos que estão sendo perseguidos, estuprados e massacrados como consequência de equivocadas e malévolas políticas geopolíticas das potências ocidentais. Ele tem escrito vários artigos em apoio desses cristãos perseguidos.
Ele tem tido uma conexão especial com dois de seus amigos brasileiros. Quando o PayPal, sob pressão de uma campanha de uma grande organização homossexual dos EUA, encerrou minha conta, Don denunciou esse abuso num artigo que foi manchete no WND, intitulado “PayPal coloca escritor cristão na lista negra.”
Outro brasileiro ajudado por Don foi o filósofo Olavo de Carvalho. A primeira vez que algum artigo do Olavo apareceu no WND foi por meio da tradução do Don.
Aliás, vim a conhecer o Don Hank por meio do Olavo. Ambos foram muito especiais e apoiadores em meus momentos de perseguição vinda dos ativistas homossexuais.
A guerra épica envolvendo colossais forças homossexuais e islâmicas está atingindo os EUA, a Europa e a Rússia de forma extraordinária. Portanto, convidei Don para nos falar o que ele sabe, pois ele tem muito conhecimento dessas três culturas.
JULIO SEVERO: Em vista do fato de que a maior ameaça ao mundo e principalmente aos cristãos é o islamismo, por que os EUA e a Rússia, ambas nações cristãs, estão brigando uma com a outra, em vez de lutarem contra o islamismo?
DON HANK: A resposta vai a essa pergunta tão longe de nossa zona de conforto e nossa barreira mental do que é aceitável que muitos ocidentais recusarão crer. Mas está aqui para os que têm disposição de considerar minha interpretação:
Os EUA não são cristãos no mesmo sentido que a Rússia. Nos EUA, a Esquerda tem travado uma guerra contra o Cristianismo que deixou os cristãos americanos debilitados e incapazes de resistir. Um exemplo saliente é o modo como nosso povo, inclusive muitos cristãos, foram subjugados à doutrina politicamente correta de que proibições bíblicas contra a conduta homossexual são antiquadas e “homofóbicas.” Essa doutrina politicamente correta é quase impossível de resistir, pois geralmente os americanos a aceitam ou têm medo de fazer-lhe resistência, e muitos outros estão dispostos a insultar ou desprezar qualquer um que expressar o ponto-de-vista contrário. Há também uma tendência oficial de sancionar e cumprir leis que punem cristãos e outros que se opõem ao conceito de “casamento homossexual.” Muitas igrejas aceitam essa doutrina antibíblica e algumas têm pastores que são abertamente homossexuais. Na Rússia, não existe nenhuma repressão legal ou social contra os que aceitam ou expressam o ponto-de-vista da Bíblia e bom senso de que a homossexualidade é anormal. Quase todas as igrejas russas aceitam a visão bíblica acerca da homossexualidade.
Portanto, em resumo, tanto o governo quanto o povo da Rússia são mais próximos em suas opiniões quanto ao Cristianismo como é ensinado na Bíblia. O Cristianismo na forma pura não é uma ideologia. Eu defino ideologia essencialmente como aquilo que se distancia do bom senso, e os russos, graças a Deus, ainda se permitem guiar pelo bom senso. A propósito, Putin, numa entrevista recente, disse que não tem uma ideologia. Ele se descreve como um conservador e pragmático, mas insistiu que o conservadorismo e o pragmatismo não são ideologias. Em outras palavras, em linguagem simples, a Rússia é, ironicamente, um país cristão de verdade enquanto os EUA são um país cristão de nome. Ou mais precisamente, os EUA estão rapidamente se tornando um país não cristão guiado por uma ideologia que dá para se chamar, em termos gerais, ocidentalismo, ou liberalismo ocidental.
Essa ideologia tem muitas facetas, tais como uma forma venenosa de secularismo que é realmente anticristã enquanto finge ser neutra; russofobia (um tipo de racismo, semelhante ao antissemitismo de Hitler, ensinando, por exemplo, que a Rússia é moralmente inferior ao Ocidente, um ensinamento que atrai seu apoio de sentimentos que ainda restam da Guerra Fria em muitos americanos que obtêm a maior parte de suas informações da mídia de massa); a doutrina da excepcionalidade americana, que dá às forças armadas dos EUA o privilégio de invadir qualquer país que se opõe aos EUA, e os conceitos agora sem sentido de “liberdade” e “democracia”; que em termos reais significam apenas o oposto do que sugerem; e um conceito de Nova Ordem Mundial de um mundo dividido em várias regiões facilmente controláveis, uma das quais seria muçulmana e seria dominada pela xaria, a lei islâmica.
Esse regionalismo criaria hierarquias que as oligarquias ocidentais que o criaram esperam controlar. Eles dão pouca consideração às consequências inesperadas de tal sistema, que poderia ser desastroso para eles. Essa faceta regionalista da política dos EUA é a mais perigosa de longe e estamos só agora começando a ver a ameaça que ela representa para todos os povos ocidentais por causa da situação do Oriente Médio. É difícil crer, mas, embora os oligarcas ocidentais possuam formidáveis meios militares, eles são ideologicamente impotentes para se opor ao islamismo.
Por essas razões, a Rússia naturalmente apoia os cristãos, tais como os cristãos sérvios e sírios, ao passo que as políticas dos EUA podem no final causar a morte e destruição desses cristãos se nenhuma força contrária intervir. Os oligarcas dos EUA (diferente do povo americano) são ideologicamente incapazes de se aliar à Rússia contra o islamismo. Aliás, já escrevi um artigo intitulado “Capital dos EUA é a sede do califado islâmico,” que explica a razão disso ser assim.
JULIO SEVERO: Don, você disse: “Os EUA não são cristãos no mesmo sentido que a Rússia” e “a Rússia é, ironicamente, um país cristão de verdade enquanto os EUA são um país cristão de nome.” Concordo com você que a Igreja Ortodoxa Russa, que sabe preservar suas tradições, está se saindo melhor do que as principais denominações dos EUA como a Igreja Presbiteriana, a Igreja Luterana e outras igrejas protestantes tradicionais. A missão básica de uma igreja tradicional é preservar suas tradições cristãs. E o Cristianismo não tem nenhuma tradição de apoiar a matança de bebês em gestação e outros inocentes e da mesma forma nenhuma tradição de apoiar o “casamento” gay e outros aspectos da agenda gay.
Por que um número elevado de igrejas protestantes tradicionais nos EUA aceita essas aberrações e a Igreja Ortodoxa na Rússia não? Nesse sentido, o Cristianismo tradicional na Rússia está se saindo melhor do que o Cristianismo tradicional nos EUA. Mas sou da linha carismática/pentecostal, e na minha opinião muitos americanos dessa linha estão se saindo muito melhor, até onde sei, do que os russos. Por exemplo, a Rússia não tem nenhum David Wilkerson ou Jack Deere. Aliás, o americano mais importante que participou de um recente evento pró-vida em Moscou é membro da Assembleia de Deus. Vamos fazer outra pergunta:
William Murray disse que a Arábia Saudita é o maior financiador do terrorismo islâmico mundial. Além disso, a Arábia Saudita mata escancaradamente homossexuais, proíbe o Cristianismo e persegue e tortura cristãos. Por que os EUA, que é o mais importante aliado da Arábia Saudita e um promotor ativo de direitos gays mundiais, nunca os condenam por executarem homossexuais, mas condenam a Rússia por causa de uma mera lei que proíbe propaganda homossexual para menores de idade?
DON HANK: Os EUA estão agora nas mãos de um pequeno grupo de oligarcas que são anticristãos. Para eles a lei da Rússia que proíbe a propaganda homossexual não é uma “mera” lei, é uma declaração de guerra ao ocidentalismo, que, embora seja uma ideologia, está realmente se tornando uma religião aos olhos desses oligarcas famintos de poder, que irracionalmente odeiam todos os que se opõem a eles… não diferente dos fascistas. A homossexualidade é uma das colunas dessa religião, uma de suas doutrinas sagradas. A ironia das políticas dos EUA é, conforme você mostra, Julio, que elas apoiam dois ensinos mutuamente exclusivos: a agenda homossexual e o islamismo. Para eles, isso não é problema, pois o fim justifica os meios. O segredo que só alguns observadores articularam é que tanto o islamismo quanto a agenda homossexual são anticristãos. O que é incrível então é que o ocidentalismo adotou esses dois ensinos apenas com o objetivo de destruir o Cristianismo. A Rússia, é claro, se opõe a ambos, e por esse motivo, a Rússia é hoje a única potência em condições de defender os cristãos e o Cristianismo.
JULIO SEVERO: Por que os EUA são tão delicados com a Arábia Saudita, que mata homossexuais, e tão duros com a Rússia que não os mata?
DON HANK: Olha, se o governo dos EUA estivesse realmente preocupado com homossexuais, não promoveria a islamização do jeito que vem fazendo. De forma semelhante, se realmente se preocupasse sobre apoiar o islamismo, não promoveria a agenda homossexual. A única explicação que resta para essa conduta incoerente — a explicação espontânea — é que os EUA estão interessados principalmente em destruir a cultura cristã, e por essa razão apoia a ideia de um califado. A Arábia Saudita apoia a fundação de um califado, que é parte do conceito de Nova Ordem Mundial de um mundo dividido em regiões que são facilmente controláveis pelos oligarcas ocidentais. Os oligarcas enxergam a Rússia como rebelde, pois não obedece ao Ocidente, principalmente aos EUA, que os oligarcas veem como lei para si mesmos, não obedecendo nem as leis de Deus nem as do homem. Os EUA fazem suas próprias leis para sua própria conveniência. Ironicamente, a Rússia tem mostrado que age de acordo com o direito internacional enquanto os EUA zombam do direito internacional. Isso é evidente numa entrevista televisada com o ministro de relações externas da Rússia Lavrov que traduzi para o inglês.
JULIO SEVERO: Não há dúvida alguma de que a agenda gay e a agenda islâmica são ideologias de tirania. Como os EUA e a Rússia reagem domesticamente a essas ameaças?
DON HANK: Um especialista em política russa, que era um analista profissional aposentado no governo russo, certa vez disse num email privado a um grupo em que eu estava incluído, que Putin, logo depois de sua eleição, lidou com os rebeldes muçulmanos chechenos enviando um de seus generais à Chechênia com uma força militar imensa. O general disse ao chefe islâmico de cada cidade que eles deveriam se entregar. Ele disse que se eles se entregassem pacificamente, eles seriam poupados. Se não, a cidade seria destruída. Ele manteve sua promessa. Putin é cruelmente criticado pelo Ocidente por essa política, exatamente como Assad é criticado por ser duro com os terroristas. Contudo, pela inação de líderes ocidentais, estamos testemunhando violência diária no Oriente Médio e até uma crescente guerra santa no Ocidente. Precisamos compreender que a inação é mais devastadora a longa prazo do que lidar duramente com assassinos.
Quanto à agenda homossexual, o governo de Putin deu um jeito de sancionar e cumprir leis que proíbem a propaganda gay. A Rússia prendeu um grupo de mulheres, o Pussy Riot, que entrou ilegalmente e profanou uma igreja. A razão para o sucesso de Putin é que, apesar das acusações ocidentais de que ele é um tirano, seu governo é muito mais democrático do que o governo dos EUA no sentido de que o povo russo não quer ter políticas e propaganda pró-homossexualismo impostas sobre eles, e as políticas dele respeitam a vontade do povo. Em contraste, os oligarcas dos EUA no governo e nas ONGs têm de vencer a vontade do povo a fim de impor o “casamento” gay em nós. Tudo está ao contrário. A Rússia, que no passado era esquerdista, agora é a potência mundial mais social e economicamente conservadora, enquanto os EUA, outrora conservadores, são hoje muito radicais e esquerdistas.
JULIO SEVERO: Como é que os EUA vieram a ter um presidente que é simultaneamente pró-islamismo e pró-sodomia?
DON HANK: Em minha opinião, Julio, Obama não é realmente tanto pró-islamismo ou pró-sodomia quanto ele é pró-liberalismo ocidental, que é essencialmente a mesma coisa que neoconservadorismo. Ele só está usando o islamismo e a agenda homossexual para impor a vontade do Ocidente no resto do mundo. E ele não está agindo só. Ele está simplesmente acompanhando a ideologia secular ocidentalista central.
JULIO SEVERO: Com sucesso, Ronald Reagan criou a Política da Cidade do México, que proibiu, na época dele, o governo dos EUA de financiar o aborto em outros países. Mas ele não teve êxito em derrotar Roe versus Wade, a lei aprovada em 1973 que permite em todo o território americano o aborto desde o primeiro até o último mês de gravidez. De modo semelhante, o atual governo mais conservador da Rússia tem tido êxito em liderar a luta contra o aborto no sistema da ONU, mas domesticamente só o tem restringido e proibido sua propaganda. O que você acha desses paralelos conservadores?
DON HANK: Penso que Putin é conservador em seu coração, mas como Reagan, ele é um pragmático que conhece os limites de seu poder. Putin já está fazendo grandes mudanças no índice de aborto e, diferente de Reagan, ele tem uma razão moral e econômica para se opor ao aborto. O índice de natalidade é baixo demais para ser sustentável. Se existe algum país que vai chegar ao ponto de proibir o aborto, acho que será a Rússia.
JULIO SEVERO: Numa escala maior, velhas igrejas cristãs na Europa estão se transformando em mesquitas. Numa escala menor, a mesma coisa está acontecendo nos EUA. Em contraste, a Rússia está reconstruindo igrejas cristãs e proibindo a construção de mesquitas em Moscou. Será que o caso europeu e americano é um exemplo de “democracia” ou suicídio? Será que os russos estão tentando impedir a enorme “invasão” islâmica que está transformando o cenário cultural e religioso da Europa e dos EUA?
DON HANK: A Europa e os EUA estão ambos se rendendo gradualmente ao islamismo e há pouca evidência de que os líderes dessas regiões pararão até que tenham sido completamente islamizados. Os únicos sinais de um despertamento para os perigos são os partidos políticos que estão crescendo rapidamente na Inglaterra, Holanda e França, os quais estão dando grandes passos para educar o público acerca da ameaça muçulmana. Os EUA não tiveram experiência direta suficiente com o islamismo para se opor a ele com força, e evidentemente o governo de Obama realmente tem muçulmanos em cargos governamentais elevados. Crê-se amplamente que John Brennan, o diretor da CIA, é muçulmano. Isso é um sinal muito sinistro. Portanto, a resposta à sua pergunta se somos uma democracia ou suicídio, eu teria de dizer que estamos rumando para o suicídio, ironicamente, como consequência de nossa obsessão com a democracia, embora com a advertência de que nossa “democracia” não representa a vontade do povo. Um estudo entre as Universidades de Northwestern e Princeton mostrou inequivocamente que os EUA são mais oligarquia do que democracia.
Quanto à Rússia, embora o governo central esteja tomando cuidado para evitar confrontos com o islamismo, áreas locais e cidades têm, como você mencionou, adotado medidas sérias para deter o avanço do islamismo, inclusive leis que proíbem a construção de mesquitas em várias cidades e em Moscou, recusando dar permissão para passeatas contra a “islamofobia.”
JULIO SEVERO: Muitas pessoas falam sobre a Rússia sem compreender sua língua, cultura e tradições. É esse o seu caso? O que você sabe sobre a Rússia?
DON HANK: Tenho mestrado em língua e literatura russa e estudei na Universidade de Leningrado (agora Petersburgo). Leio a língua russa sempre que posso. É quase impossível compreender o que realmente está acontecendo na Rússia sem olhar para o ponto-de-vista russo. Meus amigos russófobos insistem em que quase tudo o que os russos dizem é mera propaganda. Contudo, deve-se apontar que a Rússia não é mais um governo monolítico. Creio que você, Julio, mostrou num recente comentário que o jornal Moscow Times tem opiniões contra o governo russo. Portanto, ninguém pode com honestidade dizer que toda notícia da Rússia é propaganda.
Há também uma razão muito importante por que vejo a Rússia de forma diferente de muitos outros americanos, inclusive cristãos conservadores. Tenho tido contato considerável com a literatura russa e reconheço nas palavras e ações de Putin a influência clara do pensamento cristão russo. Autores cristãos que eu tenho lido em russo incluem Dostoyevsky e Tolstoy, cujos pensamentos cristãos são expressos e ilustrados nas palavras e ações de Putin. De modo semelhante, Putin teve relações amistosas com Alexander Solzhenitsyn, um homem cujos escritos refletiam o pensamento religioso numa época em que tal era estritamente proibido pelos comunistas (mas sem necessariamente se declarar cristão). É muito difícil para os ocidentais com pouco ou nenhum contato com a literatura russa avaliar de forma correta Vladimir Putin.
JULIO SEVERO: Ultranacionalistas americanos como Cliff Kincaid acreditam que Putin está sendo influenciado por uma ideologia chamada “eurasianismo,” que foi introduzida pelo filósofo Alexander Dugin. Aliás, Kincaid disse que Dugin é um conselheiro de Putin. Qual é sua opinião sobre isso?
DON HANK: Russofobia é agora uma indústria nos EUA e picaretas que trabalham nela são pagos para dar palestras e escrever livros que essencialmente mantêm quente a guerra fria. Nenhum dos que conheço, inclusive Kincaid, têm um conhecimento amplo da cultura, literatura ou língua russa e eles não leem a imprensa de língua russa. É impossível ser uma autoridade sobre questões da Rússia sem ter esse conhecimento.
Julio, sei que muitas pessoas aqui no mundo ocidental ouvem dos críticos anti-russos que Alexander Dugin é um “mentor” de Putin. Isso não é verdade. Dugin é um homem muito esperto que quer poder para si e tem feito tentativas desesperadas de ganhar a aprovação de Putin. Dugin jamais chegou a entender Putin. Depois que Dugin fez aquele discurso louco numa entrevista televisada exortando “matem, matem, matem” (os ucranianos), muitos russos exigiram que Dugin fosse demitido de seu cargo de professor. Aliás, ele foi demitido, e o que é significativo é que Putin não objetou a isso.
Na verdade, Putin disse várias vezes em entrevistas que os russos e os ucranianos são irmãos. Ele quer reconciliação e quer que os russos respeitem outros povos. Dugin foi estúpido ao dizer o que disse. Dugin mais tarde culpou, de forma tola, Putin por não socorrê-lo. Obviamente, esse homem é um egoísta que não tem nenhuma influência em Putin, e duvido que ele já teve no passado. Putin recentemente foi entrevistado pela mídia russa e lhe perguntaram qual era sua ideologia. Putin disse que ele não tinha ideologia e que ele era um conservador e pragmático. Esse foi um sinal forte para o público de que ele não estava de forma alguma ligado a Dugin e não seria influenciado pela ideologia dele.
JULIO SEVERO: Obrigado, Don. Se a Rússia seguisse o modelo de livre expressão dos EUA, Dugin nunca seria demitido, pois milhares de professores americanos proclamam besteiras e até assassinatos (principalmente de bebês em gestação) e não são demitidos. Aliás, a moda hoje nos EUA é demitir apenas professores que se expressam contra o aborto e a homossexualidade. Portanto, é muito interessante que no modelo russo, Dugin foi demitido. Agora, outra pergunta:
Alguns dias atrás, o Kremlin realizou um fórum internacional sobre famílias grandes e o futuro da humanidade. Originalmente, o Congresso Mundial de Famílias estava programado para realizar seu grande evento pró-família no Kremlin. Mas organizações esquerdistas e homossexuais conseguiram pressionar o governo dos EUA a proibir grupos cristãos e conservadores de participarem. Então, o Congresso Mundial de Famílias teve de se submeter sob essa enorme pressão negativa. Qual é o poder hoje das organizações gays e esquerdistas dos EUA para deter a liberdade de grupos cristãos e conservadores? Por que outros grandes grupos conservadores dos EUA não denunciaram isso? Pelo contrário, os ativistas gays dos EUA trataram como lixo o evento de Moscou. A organização esquerdista PFAW (sigla de Pessoas em favor do Jeito Americano), que me atacou semanas atrás, também tratou o evento como lixo. Aliás, ultranacionalistas americanos como Cliff Kincaid o trataram como lixo também. Até o jornal russo secular The Moscow Times, seguindo a mídia secular americana, tratou o evento como lixo, usando basicamente as mesmas palavras de Kincaid, dizendo que os palestrantes russos eram “corruptos” e acusando os participantes americanos e internacionais de serem “neocons.” Essa foi a primeira vez na minha vida que fui acusado de ser neocon. Como você interpreta essa estranha “aliança” contra o evento pró-família em Moscou?
DON HANK: Primeiramente, Julio, quero com todo coração congratular você por ter podido estar nessa conferência. Creio que Deus estava com você ao abrir o coração de seus leitores para doarem de forma tão generosa ao lhe dar condições de fazer essa viagem. É incrível que o governo de uma nação “cristã” poderia se deixar pressionar para proibir a ida de alguém ao Kremlin. Que visita maravilhosa e historicamente educativa que teria sido! Não posso lhe dizer exatamente a razão por que grupos conservadores não se queixaram sobre essa proibição absurda, mas tenho uma teoria. Desde que sites começaram a publicar meus artigos sobre Putin e a Rússia, venho recebendo e-mails de grupos que chamo de “russófobos profissionais,” ativistas que apoiam a visão neocon acerca da Rússia e são pagos para dar palestras e escrever livros que denigrem a Rússia. Isso é pouco mais do que prostituir seus talentos.
Russofobia é racismo, exatamente como o antissemitismo. Ambos implicam um medo e/ou ódio de um grupo étnico, que eles consideram moralmente, intelectualmente ou em outros aspectos inferior, enquanto consideram a si mesmos superiores. Jesus avisou contra esse sentimento de superioridade moral em sua parábola do fariseu e o cobrador de impostos orando no Templo. Infelizmente, muitos cristãos ocidentais são também russófobos, e esse é um sinal de cegueira espiritual — o mesmo tipo de cegueira espiritual que impede os cristãos de defenderem com eficácia sua fé contra a islamização e os abusos da agenda homossexual. Só uma pessoa espiritualmente cega não conseguiria ver como a Rússia está hoje defendendo o Cristianismo contra o islamismo e contra a agenda homossexual.
O jornal Moscow Times é anti-Putin. Acusar você de ser neocon é prá lá de absurdo. Essa gente não tem ideia do que é um neocon. Os neocons de hoje são anti-russos. Há um movimento anti-Putin muito forte na Rússia e consiste principalmente do que chamam de ocidentalizadores, que se alinham com o Ocidente. Essa dicotomia entre eslavófilos e ocidentalizadores data do século XVIII na Rússia. Dá para compreender a diferença entre esses movimentos lendo a novela “Nest of Noblefolk” de Turgenev (acessível como filme online. Eu muito o recomendo para aficionados de filmes clássicos). É difícil de acreditar, mas os ocidentalizadores estão ainda ativos hoje e querem que a Rússia fique mais próxima da ideologia da Europa e EUA.
JULIO SEVERO: Alguns líderes pró-família americanos foram muito corajosos e foram ao evento conservador de Moscou. Agora a Campanha pelos Direitos Humanos, a maior organização homossexual dos EUA, quer que o Departamento de Estado dos EUA os investigue. Existe uma Gaystapo (uma opressiva máquina de monitoração gay com assistência estatal) nos EUA? Por que os ativistas homossexuais da Rússia não têm a mesma “liberdade” e aparato para ser uma Gaystapo contra os cristãos?
DON HANK: Julio, gosto de sua palavra “Gaystapo” porque descreve perfeitamente muitos ativistas gays e o aparato estatal que os protege enquanto persegue os cristãos que ousam dizer que a conduta homossexual é pecado. Já frequentei uma igreja em que o pastor ensinava a visão bíblica acerca da homossexualidade. Uma vez enquanto o pastor estava pregando sobre a homossexualidade, um rapaz pulou de seu banco e correu para fora, seguido pelo filho do pastor. Foi um quadro bizarro, mas suspeitei o que estava por trás daquilo.
Algumas semanas mais tarde, depois que esse pastor havia de novo pregado a visão bíblica acerca da homossexualidade, a casa do pastor foi totalmente incendiada. Os investigadores da polícia descobriram que o incêndio havia sido consequência de ação criminosa, mas ninguém conseguiu localizar os criminosos. Suficiente dizer que os ativistas gays que se retratam como vítimas são tudo, menos vítimas.
JULIO SEVERO: Scott Lively, que é a maior autoridade cristã hoje sobre a agenda gay, disse que possivelmente o governo de Obama pode ter usado a crise ucraniana para atacar a postura russa contra a agenda gay. Antes dessa crise, todos os meios de comunicação dos EUA estavam de modo sistemático e crescente atacando a Rússia por causa de sua lei que proíbe a propaganda homossexual para crianças. Em contraste, na matéria de capa da revista evangélica Decision, Franklin Graham louvou o governo russo por essa lei e por posturas mais favoráveis aos cristãos. Você acredita que o governo de Obama e os neocons, que provocaram a crise ucraniana, a usaram para desviar a atenção das medidas conservadoras russas?
DON HANK: O ocidentalismo, ou liberalismo ocidental, é uma religião. A partir do que tenho observado, seus seguidores são fanáticos absolutos que não se deterão por nada para impor suas metas. Julio, creio pois que você está certo e que a crise ucraniana foi na verdade usada para esse propósito, mas também para executar a doutrina Wolfowitz, que exige que a Rússia seja contida e isolada das ex-repúblicas soviéticas. Esse isolamento é absolutamente injusto em si, mas o acordo de associação entre a Ucrânia e a UE é uma provocação direta à Rússia. Esse acordo torna ilegal que a Ucrânia faça comércio bilateral com a Rússia sem a permissão da UE, e de acordo com os russos, essa proibição custará uma perda de bilhões de dólares à Rússia.
A UE (União Europeia) é um pseudo-estado fracassado que está trazendo apenas miséria para seus membros. A maioria dos membros do Norte da Europa já não querem mais ser parte da UE, mas seus líderes os estão traindo negando-lhes um referendo que lhes daria condições de recuperar sua soberania. Creio que a UE acabará caindo, e com ela, os EUA também. Ambas entidades não são nada mais que ditaduras e perderam toda legitimidade. Entristece-me dizer isso, pois sou americano. Mas parece que os EUA em que nasci não são os EUA em que morrerei. Se não fosse pela minha fé em Deus, não sei se eu conseguiria suportar o sofrimento de ver meu país cair tão longe da graça. Mas minha fidelidade é a Deus Todo-poderoso e a Jesus Cristo Seu Filho, não a algum país. Certa vez Ronald Reagan disse: “Eu não abandonei o Partido Democrático. Ele me abandonou.” De forma semelhante, digo que não abandonei meu país. Ele me abandonou.
JULIO SEVERO: Quem são os neoconservadores, ou neocons? Eles são úteis ou não para o movimento conservador cristão? Qual é o poder dos neocons?
DON HANK: O termo neocon descreve na realidade um grupo de políticos poderosos e seus facilitadores que simplesmente fingem ser conservadores, mas são promotores esquerdistas de uma Nova Ordem Mundial, ou um governo socialista mundial que, se vier à existência, será uma plataforma para os oligarcas dos EUA e suas elites no sistema bancário e geopolítico para governar o mundo de acordo com a doutrina do liberalismo ocidental. Obviamente, essa gente não é de forma alguma útil para os cristãos. Embora finjam apoiar a justiça, a democracia e a “liberdade,” uma de suas principais metas é a destruição da civilização ocidental. Eles querem eliminar as fronteiras em torno dos EUA exatamente como a UE eliminou as fronteiras em torno de seus países membros que, como consequência, estão agora transbordando de muçulmanos hostis que os ameaçam com guerra santa. É uma situação desesperada que, de acordo com meus amigos europeus, um dia certamente levará à guerra.
O poder dos neocons na geopolítica é quase ilimitado, ou mais precisamente, é limitado quase que exclusivamente pela Rússia na esfera internacional e por um número pequeno de conservadores corajosos na esfera nacional. Pessoas como você, Julio, que não têm medo de dizer a verdade e desmascará-los
O motivo por que eles são tão poderosos é que suas políticas e sua ideologia impregnam os dois maiores partidos dos EUA e também se estendem à OTAN e à UE. Essencialmente, os neocons apareceram pela primeira vez no Partido Republicano, mas suas ideias de política externa se estenderam ao Partido Democrático também. Um exemplo perfeito disso é Victoria Nuland, vice-secretária de Estado para assuntos europeus e eurasianos. O marido de Nuland é o historiador Robert Kagan, membro do Conselho de Relações Estrangeiras (CRE), e co-fundador da instituição “Project for the New American Century” (Projeto para o Novo Século Americano). O CRE é um portador da ideia de que as fronteiras precisam ser eliminadas a fim de preparar o caminho para um governo mundial único. O fato de que Kagan foi assessor tanto de membros do Partido Democrático quanto do Partido Republicano exemplifica claramente como os neocons apoiam ambos os partidos nos EUA. É por isso que parece sem sentido que muitos americanos votem num candidato democrático ou republicano, pois ambos os partidos aceitam as políticas dos neocos que invariavelmente levam à destruição de comunidades cristãs.
JULIO SEVERO: Como é que os EUA, a Europa e a Rússia, com suas tradições cristãs, estão se rendendo às ideologias islâmicas e homossexuais?
DON HANK: As elites da Europa e EUA abandonaram o Cristianismo. As tradições cristãs não significam nada para elas. A Rússia é a única potência do mundo que adota o Cristianismo e isso não é apenas um truque político. Reflete plenamente o pensamento cristão russo conforme a literatura do século XIX expressa. A UE e os EUA estão falindo. As economias dessas duas entidades não são mais sustentáveis a longo prazo, já que operam na base de dívida, não em princípios empresariais e bancários saudáveis. Ambas estão em sua fase final de existência, uma fase em que a única estratégia que lhes sobrou é imprimir dinheiro de papel. Mas imprimir dinheiro de papel para pagar dívidas é como acrescentar água à sopa quando chegam novos convidados. Quando chegarem convidados demais, a sopa não mais é sopa. É apenas água com algumas verduras boiando nela. O Zimbábue e a República de Weimar na Alemanha, por exemplo, faliram como consequência dessa política.
Para piorar a situação para os EUA principalmente, os russos e seus parceiros BRICS, inclusive o Brasil, estão começando a parar de usar o dólar nas transações comerciais internacionais, usando como base o rublo ou o yuan, por exemplo. Quando essa estratégia tiver avançado até certo nível, o dólar terá perdido tanto de seu valor que será quase imprestável.
JULIO SEVERO: Como é que os EUA, a Europa e a Rússia, com suas tradições cristãs, poderiam trabalhar juntos para derrotar a ideologia islâmica e homossexual?
DON HANK: Em algum momento, por causa das políticas fracassadas, os EUA dependerão da Rússia e da China quase que completamente, e nesse ponto, os neocons perderão seu poder. Os russos poderão exigir que os EUA e até a Europa os ajudem a combater a islamização e, se eles escolherem ajudar, aceitarão as políticas russas com relação à homossexualidade.
Mas nada disso pode acontecer sem a intervenção de Deus. Tudo o que precisamos fazer é aguardar para ver… e orar.
Julio, muito obrigado por esta oportunidade. Desejo a você e a seus leitores tudo do melhor e oro para que Deus continue a abençoar vocês todos ricamente.
Artigos de Don Hank:

30 de setembro de 2014

Turquia apoia ISIS para eliminar Assad


Turquia apoia ISIS para eliminar Assad

Hesitação da Turquia, que é membro da OTAN, levanta questões sobre seus motivos

F. Michael Maloof
WASHINGTON, EUA — Tem havido uma crescente preocupação com a falta de participação da Turquia — um membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte — na coalizão liderada pelos Estados Unidos para atacar o ISIS, mas a razão para a Turquia não querer participar se tornou mais evidente.
O presidente Obama e o presidente turco Erdogan
Em primeiro lugar, a Turquia não toma medidas porque o ISIS, que agora se chama Estado Islâmico, tinha feito refém 49 de seus diplomatas que foram capturados quando o ISIS repentinamente invadiu o Iraque a partir da Síria, em junho passado, e tomou conta da cidade de Mosul.
No entanto, os diplomatas foram libertos em circunstâncias misteriosas. O ISIS diz que eles foram trocados por 180 combatentes do ISIS, mas as autoridades turcas nem confirmam e nem negam a alegação.
Na recente reunião de Paris das potências ocidentais para discutirem como derrotar o ISIS, o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, deixou claro que a prioridade da Turquia não era a eliminação do ISIS, mas derrubar o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad.
Segundo fontes bem informadas, Cavusoglu acusou que Assad era o responsável pela criação do ISIS. A única maneira de eliminar o grupo jihadista sunita extremista, disse ele, era eliminar as suas causas profundas, citando a necessidade de um governo completo no Iraque e a derrubada de Assad como prioridades necessárias.

Problema do Curdistão

Além disso, a Turquia vem buscando que o ISIS cuide de outro problema que, dizem as fontes, é mais crucial para o governo turco do que o grupo jihadista sunita. A preocupação gira em torno do Partido do Trabalhadores do Curdistão (conhecido pela sigla PKK) que foi declarado ilegal. Historicamente, o PKK tem buscado uma parte da Turquia para formar o país independente do Curdistão.
Os curdos têm procurado esculpir seu próprio país a partir da parte oriental da Turquia, do nordeste da Síria, do norte do Iraque e do noroeste do Irã.
Membros do PKK têm deixado a Turquia para se juntarem aos curdos no Iraque para combaterem o ISIS, que procura tomar o seu território e junto com isso a produção de petróleo e refinarias, especialmente em torno de Kirkuk.
Fontes dizem que os turcos acreditam que a coalizão contra o ISIS não só irá dar uma nova legitimidade para Assad, mas irá capacitar o PKK como parte da coalizão.
Os EUA começaram a fornecer armas aos curdos iraquianos para lutarem contra o ISIS e defenderem seu território e recursos, um acontecimento que está causando tensão nas relações entre EUA e Turquia.
Existem alguns relatos não confirmados de que a Turquia tem fornecido armas ao ISIS para lutarem contra os curdos. Um relatório disse que um trem da Turquia estava carregado de munições e armas para o ISIS para sitiar a Kobane, uma cidade curda perto de Aleppo, na Síria. Até o momento, no entanto, o governo turco não negou tal afirmação.
Perante a persistência de guerra do governo turco com o PKK, Cemil Bayik, um alto comandante do PKK, disse que o governo turco tinha "eliminado" as condições de um acordo de cessar-fogo mútuo de 18 meses. Como consequência, iria "intensificar a sua luta em todas as áreas e por todos os meios possíveis".
Se isso ocorrer, o governo turco poderia procurar o ISIS para ajudar a eliminar o seu problema com o PKK.
"O que surgiu é que a Turquia continua suas relações com Daesh e que a Turquia não vai resolver o problema curdo no norte do país", disse Bayik Al-Monitor em uma entrevista.
Daesh é a sigla para o ISIS em árabe.
Bayik disse que a Turquia "apoia os ataques de Daesh contra Kobane, que busca despovoar Kobane e faz lobby para o estabelecimento de uma zona de barreira e não pode cortar laços com o Daesh."
"Porque se o fizesse, o Daesh exporia toda a roupa suja da Turquia, e os documentos que ligam um ao outro", explicou.

"Todos os meios necessários"

Na reunião de Paris, cerca de 30 países se comprometeram a usar "todos os meios necessários" para derrotarem o ISIS, incluindo deter as fontes de seu financiamento. No entanto, a Turquia não foi um dos signatários do compromisso. Em sua determinação de eliminar Assad, a Turquia tem apoiado os grupos jihadistas, cujos combatentes mais tarde se transformaram em combatentes do ISIS.
Os comentários de Çavuşoğlu pareciam refletir algumas das visões populares na Turquia, tal como foram apresentadas em um editorial do jornal turco Hurriyet Daily, antes da Conferência de Paris sobre o ISIS.
"A conferência internacional que será realizada sob a liderança da França em Paris, em 15 de setembro é improvável que mude a posição da Turquia diante da campanha militar internacional contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), de acordo com um oficial turco… O Ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, que vai representar a Turquia na conferência, irá sublinhar a necessidade de ‘eliminação absoluta das causas centrais do ISIL’, citando a formação de um governo inclusivo no Iraque e a derrubada do regime de Bashar al-Assad na Síria como prioridades necessárias para alcançar esse fim ".
O Hurriyet Daily acrescentou que a posição da Turquia em relação ao ISIS tem o apoio do povo turco em ficar de fora da coalizão anti-ISIS liderada pelos Estados Unidos. Essa posição também reflete-se pela Turquia ser um canal contínuo para ajuda ao ISIS em arrecadar fundos e usar as áreas ocupadas pelo ISIS no Iraque para incentivar as empresas turcas.
Apesar dos desmentidos, a Turquia continua a ser um meio de lavar dinheiro e para a venda, no mercado negro dentro da Turquia e em regiões vizinhas, do petróleo capturado pelo ISIS na Síria e no Iraque.
Fontes dizem que o ISIS lucra cerca de US$ 30 milhões por mês a partir de tais vendas no mercado negro, já que o petróleo que vende é menos da metade do preço do mercado global. Essas fontes acrescentam que a principal beneficiária do corte no preço do petróleo é a própria Turquia.
O preço de mercado do barril de Petróleo Cru, a partir do final de agosto, era em torno de 102 dólares o barril. No entanto, o ISIS está vendendo o petróleo de US$ 25 a US$ 60 o barril. As fontes dizem que essas vendas não afetaram os preços globais do petróleo já que a maior parte do petróleo no mercado negro nunca deixa a Turquia.
Essas vendas abaixo do mercado de petróleo pelo ISIS continuam apesar do bombardeio contínuo dos EUA aos chamados poços de petróleo móveis do ISIS, especialmente na Síria.
O petróleo para a Turquia atravessa a região sul, a qual o ISIS já designou para se tornar parte de seu califado, abrangendo o noroeste da Síria até o oeste e a parte central do Iraque.
"Países como a Turquia têm feito vista grossa para a prática e a pressão internacional deve ser criada para fechar os mercados negros na sua região sul", de acordo com Lusay Al Khatteeb do Brookings Doha Center.
"A parte do norte do Iraque, o sul da Turquia e o leste da Síria são conhecidos historicamente por contrabando", disse Khatteeb. "No início, essas gangues costumavam contrabandear mercadorias. Agora, têm evoluído para o comércio de petróleo".
Tendo em conta que o preço reduzido do petróleo é muito melhor do que aquilo que a Turquia, faminta por energia, tem de pagar no mercado internacional, as autoridades turcas estão relutantes de desligar esta fonte vital de petróleo.
Fontes dizem que o ISIS atualmente controla cerca de 60 por cento dos campos de petróleo no leste da Síria, sete campos de petróleo e duas refinarias no Iraque.
Como o site WND informou recentemente, as empresas turcas também estão atendendo a uma chamada do ISIS para investirem nas áreas que o ISIS adquiriu no Iraque.
O Ministro da Economia da Turquia, Nihat Zeybekci, manifestou interesse em incentivar as empresas turcas a investirem em regiões ocupadas pelo ISIS no Iraque.
"Nossas exportações para o Iraque agora são de até 35 por cento, mas o Iraque não pode facilmente substituir outras fontes", disse Neybekci.
"Nós achamos que haverá um crescimento acelerado na demanda em breve", disse ele. "Também sabemos que o [ISIS] está em contato com empresários turcos individuais e dizendo-lhes: 'Volte, não vamos interferir’. Isso não é fácil, é claro. Mas quando o futuro Iraque for reconstruído, quem fará isso será a Turquia".
Traduzido por Dionei Vieira do artigo do WND: Turkey backs ISIS to eliminate Assad
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Dilma, Marina e Aécio se unem na condenação à opinião “homofóbica” de candidato católico


Dilma, Marina e Aécio se unem na condenação à opinião “homofóbica” de candidato católico

Comentário de Julio Severo: A revista Veja disse que Dilma, Marina e Aécio repudiaram o comentário “homofóbico” do candidato Levy Fidelix. O que foi que Levy disse que desagradou aos três? Do que ele disse, o que a imprensa mais destacou foi:
“Aparelho excretor não reproduz (...) Como é que pode um pai de família, um avô ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto. Vamos acabar com essa historinha. Eu vi agora o santo padre, o papa, expurgar, fez muito bem, do Vaticano, um pedófilo. Está certo! Nós tratamos a vida toda com a religiosidade para que nossos filhos possam encontrar realmente um bom caminho familiar.”
Ora, o Brasil é o maior país católico do mundo. O que há de mal no senhor Levy, que é pai e avô e merece um mínimo respeito dos três candidatos, se expressar como católico? Mesmo desconsiderando a religião dele, a opinião dele é diferente do que pensa a vasta maioria do povo brasileiro? Não. De acordo com pesquisa realizada por um instituto ligado ao PT, 99% do povo brasileiro é “homofóbico,” isto é, tem opiniões contrárias ao comportamento homossexual. Confira as matérias aqui:
Uma atriz, nos bastidores, chegou a dizer que “Gays são nojentos. A maioria deles tem AIDS.”
A opinião de Levy então expressa os sentimentos de uns 99% dos brasileiros. O que é pior então, a opinião de um pai e avô ou a atitude de homossexuais que enfiam o braço no ânus do parceiro ou lhe lambem o ânus? Desculpe-me o linguajar grosseiro, mas essas palavras, ainda que grossas, são limitadas para descrever a sujeira das relações homossexuais.
Até entendo Dilma e Aécio respeitarem mais essa sujeira do que a um pai e avô. Mas e Marina, que se diz evangélica? Qual foi a intenção dela ao se unir a Dilma e Aécio? Se ela quis mostrar que é igual a eles, conseguiu. Se ela quer estar na moda de agradar aos adeptos do sexo fecal, conseguiu. Se ela quer surfar só nas ondas politicamente corretas, conseguiu. Já é surfista PC.
Posso não concordar com 99% dos brasileiros que são, à sua própria maneira, contrários a um comportamento comprovadamente sujo e prejudicial à saúde. Mas respeito a opinião deles, muitos dos quais são pais, mães e avós. Por que a evangélica Marina não consegue respeitar as opiniões desses pais, mães e avós, mas consegue respeitar as elites globalistas que são hipersensíveis às questões homossexualistas?
Por que, no momento de escutar e entender um pai e avô, ela prefere se unir a Dilma e Aécio, que são guiados pelo príncipe deste mundo? Aliás, por que ela prefere surfar na onda desse príncipe das trevas?
É natural a escuridão de Dilma e Aécio, mas onde está a luz do Evangelho de Marina?
Todos unidos, prontos para fazer um linchamento midiático, social, legal e político de um avô católico, e tudo o que dona Marina consegue fazer é se unir aos opressores e perseguidores?
Por que Marina é igual aos outros, que desrespeitam um avô católico que fala sobre o homossexualismo exatamente do jeito que é?
Não conheço o histórico de Levy, mas a opinião dele, por mais desarticulada que seja, não é mais suja do que os comportamentos criticados por ele.
Leia agora a matéria da revista Veja:

Presidenciáveis reagem contra fala homofóbica de Fidelix 

Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves repudiaram a declaração do nanico; PV pediu que Ministério Público abra inquérito para apurar crime

O candidato do PRTB à Presidência da República, Levy Fidelix, durante o intervalo do debate promovido pela Rede Record neste domingo (28), em São Paulo
A fala homofóbica de Levy Fidelix (PRTB) durante o debate na TV Record, neste domingo, provocou reações dos principais candidatos à Presidência da República. Nesta segunda, Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) criticaram a fala do folclórico candidato do Aerotrem, que associou homossexualidade a pedofilia.
Durante agenda em São Bernardo do Campo (SP), Aécio Neves classificou a fala como lamentável. "Nosso repúdio absoluto àquelas declarações. E como já disse mais de uma vez, na minha avaliação, todo tipo de discriminação é crime. Homofobia também."
Em entrevista coletiva em São Paulo, Dilma usou o episódio para se posicionar a favor da criminalização da homofobia. "Eu já disse que sou contra a homofobia e acho que o Brasil atingiu um patamar de civilidade que não podemos conviver com processos de descriminalização que levem à violência. Eu acho que a homofobia tem de ser criminalizada", afirmou.
A candidata do PSB, Marina Silva, considerou "homofóbicas e inaceitáveis em quaisquer circunstâncias" as declarações de Levy Fidelix e disse que sua Rede Sustentabilidade avalia entrar com ação na Justiça contra o candidato. "Não aceitamos em hipótese alguma atitude que incita ao preconceito, desrespeito, violência contra comunidade LGBT ou qualquer que seja", disse.
O Partido Verde protocolou nesta segunda-feira uma representação contra Levy Fidelix. A representação, feita a pedido de Eduardo Jorge, candidato do partido à Presidência da sigla, pede que o MP abra um inquérito contra Fidelix para apurar desrespeito à dignidade humana.
Fonte: Revista Veja
Divulgação: www.juliosevero.com.
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